

Ainda guardo em mim todas as imagens
Todo passado carregado de saudades:
Percorro cada cômodo daquela fazenda
Suas imensas janelas de madeira
Que presenciaram tantas estórias
Ouviram milhões de palavras.
Eu tão menino!
Elas tão gigantes...
Abrigando-me silenciosamente.
Parece que foi ontem!
O tempo passou tão depressa
Mas guardou dentro de mim
Aquele menino...
De short cerzido
Alegre e feliz
Aprontando milhões de peripécias
Subindo em pés de manga
Se lambuzando no leite tirado na hora
Sentindo o cheiro forte do chiqueiro
Jogando milho para as galinhas.
E eu corria tão livre
Ganhava grande espaço nos pastos
Apanhando de vez em quando
Diante do tanto que aprontava
Esquecendo logo depois
As dores do cinto que castigava as pernas.
Tenho em mim cada detalhe
Todos os resquícios da minha infância:
Simples e feliz.
Tenho certeza que as imensas janelas continuam lá
Guardando tudo de mim
Em eterna espera...
Quem sabe um dia!
Quem sabe quando voltar a ser menino de novo
Começar tudo outra vez
E, sem saber,
Retornar no mesmo lugar
Enquanto dentro de mim
Algo inexplicável gritará silenciosamente;
Que saudade!
Por agora fico com um tanto de cabelos brancos
Deixando o menino guardado
Lá, junto das imensas janelas
Que sempre esperarão a minha volta.
(21/08/2008)
