Nos momentos rebeldes da minha insônia
sinto uma necessidade de posse
incorporada à fantasia que permeia a volição
hipnotizando meu olhar implacável.
Vejo-te, pirata navegando em mares bravios,
timoneira de uma sensualidade explícita
Vem!
Sem o medo das faiscantes tempestades,
quero rasgar tuas roupas, jogá-las ao mar
num gesto de ardente sensualidade.
Quero-te nua sob a luz do lânguido luar
ouvindo o vento sussurrar cantigas de fogo
e amor.
Dança a dança de uma pirata erotizada,
joga fora o tapa-olhos,
deixa fluir todos os delírios
pervertidamente louca, delirante de tesão
explodir os orgasmos movendo-se sinuosa.
Navegamos na direção de não sei onde,
sem norte ou sul – me faz criança e sorri.
É tempo de voar nas asas do vento,
transformar as fantasias no real,
os sonhos no eterno.
Faça um risco pulso a pulso,
ponha um beijo na minha boca,
crave a espada no chão do convés,
mostre aos Deuses um pacto de amor
e sangue.
Estamos aqui sozinhos, saciados.
No olhar os mares, o sal, a maresia,
cansados, corpos molhados,
trocamos afagos com furor e paixão.
Só os amantes têm essa exata dimensão do amor.