TERRA-LUA
Cida Valadares
Fico daqui a olhar-te, lua
como passante em minha rua,
minhas esquinas...meu procurar.
E alcanço os píncaros dos morros
Bem no momento em que te vejo...
Entregue às ondas...beijando o mar!
E viaja, o meu pensamento,
para bem perto te encontrar
Será que tens por mim ,
A mesma paixão que tens pelo mar?
Ou será, lua bendita,
Que sou eu que te faz aflita,
Te distanciando do mar?
É que em noites enluaradas,
toda terra dorme, acanhada,
Sentindo a dor se aninhar
Ó terra, doce e sublime
Qual teria sido o meu crime
Em te ver...distante assim?
O meu olhar é procura,
Também é doce loucura
Querendo te encontrar.
Ó terra, como és distante...
Em meio às minhas voltas
Brilho prá te iluminar.
E neste reflexo ternura
Mostro-te minha alma pura
E o quanto te posso amar.
Ó terra-lua , o vento que me atormenta
Faz bramir a minha dor
E as ondas querem gritar
Espraio por onde posso
Antes de me acalmar.
Quando sinto o clarão em meu seio
Este clarão que veio
Em meu corpo se afogar.
Sei que a terra , pranteia
A lua que não é mais cheia
E que começa a minguar.
E do mar, então, fremente
Um dia a terra sente
a semente germinar.
Nasce a Lua.. a lua nova
Que a terra devolve ao céu
Para a lua...admirar.!
Belo Horizonte, 25/09/2009

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Publicado em 09/03/2010