CHUVA
(Rose Mori)
Chove...
E o som dos pingos
me trazem à mente
lembranças de outros tempos.
Muitas lembranças...
Muitos tempos...
Criança se refugiando
nos braços maternos
com medo dos trovões
e relâmpagos que cortavam o céu...
Adolescente, enroscada na manta,
no sofá da sala,
sem qualquer pensamento sério
assolando a mente...
Mulher, aninhada ao corpo másculo
do homem amado...
que depois partiu para sempre...
Tudo perdido...passado...
E hoje...
Simplesmente só
- na alma e no corpo –
E a chuva continua, indiferente...
Ah! Como eu quisera
que essa chuva
desabasse dentro de mim
e lavasse da alma todos os sentimentos,
Até não restar nada,
a não ser o vazio que não se sente,
o vazio que não machuca.

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Publicado em 28/12/2008