MADRUGADA
(Rose Mori)
Madrugada quente, silenciosa,
sem qualquer vestígio da lua no céu.
Apenas sombras...
Permaneço à janela contemplando o nada,
ouvindo apenas o sussurrar da noite
E o sono não vem...
Um turbilhão de pensamentos desencontrados
e muitas vezes incompreendidos
preenche as lacunas da mente,
despertando os sentimentos...
Fragmentos do passado...
Lembranças que se interpõem
ao tão buscado esquecimento
e fluem desordenadamente...
Na boca, o gosto amaro
das lágrimas incontidas.
Beijos, carícias e sentimentos
que se perderam no tempo
deixando a marca na alma.
Quantos momentos e segredos partilhados!
De tudo, resta apenas uma melancolia indizível.
Fecho a janela do quarto
e me tranco em minha saudade.
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